Como a Desvalorização do Real Impacta Seus Investimentos

Em janeiro de 2025, o real atingiu R$ 6,18 por dólar — um dos piores momentos da moeda brasileira nos últimos anos. Apesar de uma leve recuperação nas semanas seguintes, o episódio acendeu o alerta entre investidores. A pergunta é inevitável: como a desvalorização do real afeta meus investimentos e o que posso fazer a respeito?

Este artigo vai direto ao ponto: vamos analisar os efeitos da desvalorização cambial no poder de compra, nos ativos dolarizados, nos investimentos estrangeiros e nas oportunidades que surgem no mercado nacional, como o P2P Lending. O objetivo é claro: ajudar você a proteger seu patrimônio — e, se possível, lucrar — em tempos de volatilidade cambial.

O que significa a desvalorização do real?

Quando dizemos que o real se desvalorizou, estamos falando de uma queda do seu poder de compra em relação a outras moedas — principalmente o dólar. Se antes era preciso R$ 5,00 para comprar 1 dólar, agora são necessários R$ 6,18. Na prática, isso significa que as importações ficam mais caras, que as viagens internacionais pesam mais no bolso e que os ativos e investimentos precificados em dólar sobem para quem investe em reais.

A desvalorização pode ser causada por diversos fatores, como instabilidade política, inflação, déficits fiscais, fuga de capital estrangeiro, entre outros. No caso recente, o real sofreu com a combinação de incertezas políticas internas, juros mais altos nos EUA e menor apetite global por risco.

Impacto direto no seu poder de compra

A desvalorização afeta primeiro o consumidor. Produtos importados ou com componentes vindos de fora ficam mais caros — e isso se espalha por toda a economia. Itens como eletrônicos, combustíveis, medicamentos, peças automotivas e até alimentos sofrem pressão.

Essa pressão de preços pode gerar inflação. Para o investidor, isso significa que aplicações conservadoras, como poupança ou CDBs que rendem abaixo da inflação, perdem valor real. Proteger-se contra isso exige diversificação e estratégia.

Ganhos com ativos dolarizados

Por outro lado, quem tem parte da carteira dolarizada pode se beneficiar. A desvalorização do real valoriza ativos atrelados ao dólar. Os BDRs (recibos de ações estrangeiras) se valorizam, mesmo que o ativo lá fora esteja estável. Fundos cambiais ou de ações internacionais tendem a subir. Criptomoedas, como o Bitcoin, embora muito voláteis, também podem ganhar fôlego em momentos de fuga do real. E Commodities como ouro ou petróleo, cotadas em dólar, também se tornam atrativas.

Se você já tinha exposição ao exterior, a valorização cambial atuou como um “hedge” natural. Se não tinha, talvez seja hora de pensar nisso.

Investimentos no exterior: oportunidades e cautela

Para quem investe diretamente fora do país, a moeda fraca pode ser uma faca de dois gumes.

Como ponto positivo, os ativos estrangeiros rendem mais em reais. Se você comprou ações americanas com dólar a R$ 5,00, e agora o dólar está em R$ 6,18, mesmo que a ação não tenha subido lá fora, você já ganhou só na variação cambial.

Já como ponto negativo, entrar agora pode ser mais caro. Comprar ativos no exterior com o dólar alto significa pagar mais por cada ação, fundo ou ETF. Ou seja, o risco é entrar caro e vender barato se o real se valorizar no futuro.

O ideal, como sempre, é manter uma estratégia de médio a longo prazo e usar aportes regulares para diluir riscos.

Oportunidades no mercado interno: o caso do P2P Lending

Se investir fora está mais caro e arriscado neste momento, pode ser interessante olhar para dentro. O mercado nacional também oferece alternativas para proteger e rentabilizar seu dinheiro — e uma delas é o P2P Lending (empréstimos entre pessoas via plataformas online).

Por que o P2P Lending se destaca em cenários como este?

. Rendimentos acima da média: Muitas plataformas oferecem retornos líquidos entre 12% e 18% ao ano, bem acima da inflação e da Selic.


. Baixa correlação com o dólar: Como o investimento é feito em reais e focado em pequenas empresas locais, ele não depende diretamente da variação cambial.


. Diversificação de risco: O investidor pode pulverizar seu capital em dezenas de operações, reduzindo a chance de perdas relevantes.


. Tecnologia e transparência: As plataformas usam análise de crédito automatizada, informações públicas e dados bancários para avaliar tomadores, o que ajuda a reduzir inadimplência.

Claro que o P2P Lending não é isento de riscos. Mas, com boa seleção de plataforma e diversificação, pode ser uma forma inteligente de driblar a instabilidade cambial e obter renda passiva acima da média.

Estratégias para proteger (ou aproveitar) a desvalorização

Aqui vão algumas táticas práticas para lidar com a queda do real:

Diversifique em dólar

Mesmo com o dólar alto, manter parte da carteira exposta a ativos estrangeiros protege contra novas quedas do real. BDRs, ETFs internacionais e fundos cambiais são opções acessíveis para o investidor brasileiro.

Invista em ativos reais

Fundos imobiliários, ações de empresas ligadas a exportação (como Vale e Suzano), ouro e criptos oferecem proteção contra inflação e desvalorização.

Explore o mercado interno

Investimentos como P2P Lending, crédito privado e fundos de renda fixa de empresas brasileiras continuam oferecendo bons retornos em reais — e não sofrem com o câmbio.

Evite concentrar tudo em renda fixa conservadora

Com inflação e câmbio em alta, deixar o dinheiro parado em ativos que rendem abaixo da inflação é garantir perda de poder de compra.

A desvalorização do real é um risco, mas também pode ser uma oportunidade — depende de como você posiciona sua carteira. Entender o impacto do câmbio sobre seus investimentos é essencial para tomar decisões mais conscientes e proteger seu patrimônio.Seja buscando proteção em ativos dolarizados, seja aproveitando alternativas sólidas no mercado nacional como o P2P Lending, o mais importante é não ficar parado. Em tempos de incerteza, informação e ação valem mais do que previsão.